O que você come há meses está escrito no seu sangue. Exame sem mudar o prato não resolve, e dieta sem exame é andar no escuro. Saúde é os dois juntos: conhecer os seus resultados e comer comida de verdade. Veja o que alguns marcadores contam sobre a sua alimentação e sobre o que acontece nas suas células.
Glicada: o açúcar dos últimos 3 meses
A glicose em jejum é uma foto daquele dia. A hemoglobina glicada é um filme: o açúcar gruda na hemoglobina, e o exame mostra a média dos últimos 2 a 3 meses. De modo geral, abaixo de 5,7% é considerado normal, de 5,7% a 6,4% é pré-diabetes, e 6,5% ou mais, confirmado, indica diabetes. Anemia e outras condições podem alterar o resultado. Leia mais sobre a hemoglobina glicada.
Insulina: o aviso que vem antes
A insulina é a chave que coloca a glicose dentro da célula. Quando a célula passa a responder menos, o pâncreas produz mais insulina para compensar. Por isso, ela pode subir anos antes da glicose. Leia insulina alta com glicose normal.
Triglicerídeos: o espelho do açúcar e do álcool
Muita gente acha que triglicerídeos altos vêm só da gordura. Na prática, costumam subir com açúcar, farinha branca, refrigerante e bebida alcoólica, porque o fígado transforma o excesso em gordura. O valor desejável em jejum é abaixo de 150 mg/dL. Valores muito altos, acima de 500 mg/dL, aumentam o risco de pancreatite e pedem avaliação rápida. Costuma ser um dos marcadores que melhor respondem à mudança do prato.
Colesterol: o que fala do seu coração
O LDL transporta colesterol para os tecidos, e o excesso se acumula na parede das artérias. O HDL ajuda a recolher parte dele. A alimentação influencia esses valores, e a genética também: há pessoas que comem bem e ainda precisam de tratamento. A apolipoproteína B conta quantas partículas capazes de entupir a artéria estão circulando.
Lendo em conjunto
Nenhum valor deve ser lido sozinho. Um padrão comum é triglicerídeos altos, HDL baixo, insulina alta e glicada no limite, somado à gordura na barriga. Essa combinação sugere resistência à insulina, muitas vezes antes de qualquer sintoma. Enzimas do fígado alteradas podem completar o quadro.
Em quanto tempo o exame muda
Como a glicada reflete cerca de 3 meses, costuma fazer sentido repetir os exames depois de 2 a 3 meses de mudança real, conforme a orientação do seu médico. Os triglicerídeos respondem mais rápido. Não ajuste nem suspenda remédios por conta própria.
Quando não esperar
Procure um médico logo se tiver muita sede, urina em excesso e perda de peso sem explicação. Dor forte na barriga com triglicerídeos muito altos também é motivo para atendimento. Dor no peito, falta de ar ou fraqueza súbita em um lado do corpo são emergência: ligue 192.