Durante décadas, o ovo foi tratado como vilão do colesterol. A ciência mudou de tom: para a maioria das pessoas saudáveis, o ovo cabe em uma alimentação equilibrada. Ovo é comida de verdade. Mas cada corpo responde de um jeito, e quem conta essa resposta é o seu exame de sangue.
O colesterol do ovo e o colesterol do sangue
Um ovo grande tem cerca de 185 mg de colesterol, quase todo na gema. Só que a maior parte do colesterol do sangue é produzida pelo próprio fígado. Quando entra mais colesterol pela comida, o organismo costuma produzir menos e absorver menos. Por isso, em muitas pessoas, o efeito do ovo sobre o LDL é pequeno.
Em 2019, um parecer da American Heart Association concluiu que pessoas saudáveis podem incluir até cerca de um ovo por dia em um padrão alimentar saudável. Grandes estudos não mostram a mesma resposta em todas as populações, e por isso a orientação é medida, não um passe livre.
O que costuma pesar mais
O problema raramente está só no ovo, e sim no que vem junto. Bacon, linguiça, queijo gorduroso, manteiga em excesso e pão branco trazem gordura saturada e carboidrato refinado. A gordura saturada tende a elevar o LDL mais do que o colesterol da gema. Ovo cozido com salada é muito diferente de ovo frito com bacon.
Quem precisa de mais atenção
Há pessoas que respondem mais: o LDL sobe de forma clara quando comem mais colesterol. Só o exame mostra isso. Converse com o seu médico sobre a quantidade de ovos se você tem:
- Colesterol já alto ou LDL de 190 mg/dL ou mais, que pode sugerir hipercolesterolemia familiar;
- Diabetes;
- Doença do coração, infarto ou AVC prévios;
- Casos de infarto precoce na família.
Os exames que mostram como você responde
Nenhum valor deve ser lido sozinho. O conjunto conta a história:
- LDL: o principal alvo de tratamento. A meta depende do seu risco, não existe um número único para todos;
- HDL: ajuda a recolher parte do colesterol, mas valor alto não garante proteção;
- Triglicerídeos: costumam responder mais a açúcar, farinha branca e álcool do que ao ovo. O valor desejável em jejum é abaixo de 150 mg/dL;
- Apolipoproteína B: conta quantas partículas capazes de entupir a artéria estão circulando;
- Lipoproteína(a): depende quase toda da genética, e costuma bastar medir uma vez na vida;
- Hemoglobina glicada e insulina: mostram se a resistência à insulina faz parte do quadro.
Como testar no seu caso
Se você mudar a quantidade de ovos ou a alimentação, faz sentido repetir o perfil de lipídios depois de 6 a 12 semanas, conforme a orientação do seu médico. Compare antes e depois, sempre com o mesmo tipo de exame. Se o LDL subiu, o ajuste é individual. Quem usa estatina não deve suspender nem mudar a dose por conta própria.
Quando não esperar
Dor no peito, falta de ar súbita, fraqueza em um lado do corpo ou dificuldade para falar são emergência: ligue 192.