Ultraprocessado faz mal mesmo, ou é exagero? Mais de 100 estudos prospectivos e meta-análises sustentam que a alimentação baseada em ultraprocessados aumenta o risco de várias doenças crônicas ligadas à dieta, entre elas diabetes tipo 2, sobrepeso e obesidade. Não é moda: é um corpo de evidências que só cresce.
O que são ultraprocessados
São produtos feitos principalmente de ingredientes industriais, como açúcares, óleos, amidos modificados, aromatizantes, corantes e espessantes. Exemplos comuns: refrigerante, salgadinho de pacote, biscoito recheado, macarrão instantâneo, embutidos, e também produtos que parecem saudáveis, como cereal matinal, iogurte com sabor, barrinha de cereal e suco de caixinha.
O que os estudos mostram
Estudos que acompanham milhares de pessoas por anos observam o mesmo padrão: quanto maior a parte da alimentação vinda de ultraprocessados, maior o risco de diabetes tipo 2, obesidade, doença cardiovascular e morte precoce. Em 2024, uma grande revisão publicada no BMJ reuniu 45 meta-análises, com cerca de 10 milhões de pessoas, e encontrou associação com 32 desfechos de saúde.
São, em sua maioria, estudos de observação: mostram associação forte e consistente, e não provam sozinhos a causa de cada caso. Mas um ensaio controlado, em que as mesmas pessoas comeram por duas semanas uma dieta ultraprocessada e por duas semanas uma dieta de comida de verdade, mostrou que na fase ultraprocessada elas comeram cerca de 500 calorias a mais por dia e ganharam peso.
O que pode aparecer nos seus exames
O efeito costuma aparecer no sangue antes de qualquer sintoma. Nenhum valor deve ser lido sozinho; o conjunto conta a história:
- Glicose em jejum e hemoglobina glicada: mostram o açúcar do dia e a média dos últimos meses;
- Insulina: pode subir anos antes da glicose, sinal de resistência à insulina;
- Triglicerídeos: respondem rápido a açúcar, farinha branca e bebida adoçada;
- HDL baixo e apolipoproteína B alta: mostram um perfil de gordura no sangue que pesa para o coração;
- TGP (ALT) e GGT: podem subir quando há gordura no fígado;
- PCR ultrassensível: um marcador de inflamação silenciosa;
- Ácido úrico: costuma subir com excesso de frutose e bebidas adoçadas.
Como testar no seu caso
Se você reduzir os ultraprocessados, faz sentido repetir os exames depois de 8 a 12 semanas, conforme a orientação do seu médico, e comparar antes e depois, sempre com o mesmo tipo de exame. Em muitas pessoas, triglicerídeos, insulina e enzimas do fígado são os primeiros a responder. Quem usa remédio para diabetes ou colesterol não deve suspender nem mudar a dose por conta própria.
Quando não esperar
Sede excessiva, urina em grande quantidade e perda de peso sem explicação pedem avaliação médica logo. Dor no peito, falta de ar súbita ou fraqueza em um lado do corpo são emergência: ligue 192.