A vitamina B12 (cobalamina) aparece em muitos exames de rotina. Quando vem baixa, ou no limite, é comum a pessoa ouvir só "toma um suplemento". Mas o resultado conta uma história maior: a B12 participa de processos que acontecem dentro de cada célula, e a falta dela pode se manifestar no sangue, nos nervos e na disposição.
O que a B12 faz na célula
- Fabricação do DNA: junto com o folato, a B12 é necessária para a célula se dividir. Células que se renovam rápido, como as do sangue, sentem primeiro. Por isso a falta pode causar anemia com glóbulos vermelhos grandes (VCM alto no hemograma).
- Energia na mitocôndria: a B12 ajuda a converter algumas gorduras e aminoácidos em combustível. Quando falta, sobe no sangue o ácido metilmalônico.
- Metilação: a B12 recicla a homocisteína. Sem ela, a homocisteína se acumula, o que agride os vasos.
- Proteção dos nervos: a bainha que reveste os nervos depende desse mesmo sistema. A falta prolongada pode causar formigamento, perda de sensibilidade nos pés, desequilíbrio e falhas de memória.
Como ler o resultado
Os valores de referência variam entre laboratórios, mas, de forma geral:
- abaixo de cerca de 200 pg/mL: deficiência provável;
- entre cerca de 200 e 300 pg/mL: zona limítrofe, em que a deficiência pode existir mesmo com o valor "dentro da referência";
- na zona limítrofe, o ácido metilmalônico e a homocisteína ajudam a confirmar se as células estão de fato sentindo a falta.
O hemograma também dá pistas: VCM alto, anemia ou plaquetas e glóbulos brancos baixos merecem atenção. Mas os sintomas nos nervos podem aparecer antes de qualquer anemia.
Quem tem mais risco
- Pessoas acima de 50 anos, pela menor acidez do estômago, que dificulta a absorção;
- Uso prolongado de metformina ou de remédios para o estômago (como o omeprazol);
- Quem fez cirurgia bariátrica ou tem gastrite atrófica, doença celíaca ou de Crohn;
- Dieta vegetariana estrita ou vegana sem suplementação;
- Consumo frequente de álcool.
O que ajuda
- Descobrir a causa: falta na alimentação, problema de absorção ou efeito de remédio mudam a conduta.
- A reposição pode ser por comprimido ou por injeção, conforme a causa e a gravidade. Doses orais adequadas funcionam bem em muitos casos, inclusive com absorção reduzida.
- Fontes na alimentação: carnes, peixes, ovos, leite e derivados.
- Repetir o exame após o tratamento para confirmar a resposta.
Não tome ácido fólico em dose alta por conta própria: ele pode corrigir a anemia e esconder a falta de B12, enquanto o dano nos nervos continua. E B12 muito alta sem uso de suplemento também merece investigação.