A vitamina D virou um dos exames mais pedidos, e também um dos mais mal interpretados. Há quem tome doses altas por anos sem acompanhamento, e quem tenha falta e nunca tenha medido. A leitura certa depende de quem é a pessoa, e não só do número.
O que é a vitamina D
Apesar do nome, a vitamina D funciona como um hormônio. A pele produz a maior parte dela quando recebe sol; uma parte menor vem da alimentação (peixes gordos, gema de ovo). O fígado a transforma em 25-hidroxivitamina D, a forma que o exame mede, e os rins a transformam na forma ativa.
Dentro das células, ela se liga a um receptor no núcleo e liga ou desliga genes. É assim que ela regula a absorção de cálcio, a saúde dos ossos e dos músculos e parte da resposta imune.
Qual é o valor ideal
O exame certo é a 25-hidroxivitamina D. Pelo posicionamento das sociedades brasileiras de Patologia Clínica e de Endocrinologia (2017), o alvo muda conforme o grupo:
- Acima de 20 ng/mL: adequado para a maioria das pessoas saudáveis até cerca de 60 anos.
- Entre 30 e 60 ng/mL: recomendado para grupos de risco, como idosos, gestantes, pessoas com osteoporose, quedas frequentes, doenças que atrapalham a absorção ou uso de remédios que interferem na vitamina D.
- Acima de 100 ng/mL: risco de intoxicação.
Os valores de referência podem variar um pouco conforme o laboratório. O número deve ser lido junto com o laudo, a idade e a história de cada pessoa.
Por que falta, mesmo no Brasil
O que a falta pode causar
Na maior parte das vezes, a falta de vitamina D não dá sintomas. Quando é importante e prolongada, pode levar a perda de massa óssea, fraqueza muscular, dores ósseas e mais risco de quedas e fraturas, principalmente em idosos.
Muitos estudos associam vitamina D baixa a outras doenças, mas os grandes estudos que deram suplemento a pessoas sem deficiência não mostraram, de forma consistente, proteção contra infarto, câncer ou infecções. Por isso a vitamina D não deve ser tratada como um remédio para tudo.
Quando a vitamina D está alta demais
O excesso quase sempre vem de suplementos em doses altas, por conta própria ou sem acompanhamento. A vitamina D em excesso eleva o cálcio no sangue e pode causar náusea, sede, urina em excesso, confusão, pedras nos rins e lesão renal.
A leitura pela visão da célula
Como a vitamina D age no núcleo das células, ela deve ser lida em conjunto com o que mostra se o organismo está usando bem o cálcio: cálcio, fósforo, paratormônio (PTH), função dos rins e, quando indicado, a densitometria óssea. Um PTH alto com vitamina D baixa, por exemplo, sugere que o corpo já está tirando cálcio dos ossos para compensar. Para o Cytus, o número isolado conta pouco; o conjunto mostra o que está acontecendo.
O que não fazer por conta própria
- Não tome doses altas, nem "doses de ataque" semanais, sem prescrição e sem repetir o exame.
- Não some vários suplementos que já contêm vitamina D sem conferir a dose total.
- Não use a vitamina D como tratamento para outras doenças sem orientação médica.
Sede intensa, náusea e confusão em quem toma vitamina D, ou fraturas com pequenos traumas, pedem avaliação médica sem demora.
Este artigo tem caráter educacional e não substitui a avaliação médica individualizada. A interpretação de exames depende da história clínica de cada pessoa.